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Grandes compositores: Astor Piazzolla

Astor Piazzolla, em 1971

Ícone da música Latino Americana, Astor Pantaleón Piazzolla é conhecido por suas músicas, que traduzem bem o espírito de sua terra natal, a Argentina. Piazzolla nasceu no dia 11 de março de 1921, na cidade de Mar del Plata, e ganhou seu primeiro bandoneon aos oito anos de idade (comprado pelo pai por apenas 19 dólares em uma loja de penhores).

O músicos estudou por um ano com Andrés DÁquila e já realizou sua primeira gravação: um disco fonográfico, não comercial, chamado Marionette Spagnol, de 1931.

Em 1933 Piazzolla estudou com o pianista húngaro Bela Wilda – que foi aluno do grande pianista e compositor Rachmaninov -, com quem Piazzolla dizia ter aprendido a amar as composições de Bach. Pouco temp odepois, ele conheceu o músico de origem uruguaia Carlos Gardel, de quem se tornou amigo. Mais tarde ambos fizeram parte do filme El Dia Que me Quieras, que tem um importante papel na história do Tango.

Piazzolla começou a tocar em algumas orquestras de tango em 1936 e seu amor pelo tango o leva a se mudar para Buenos Aires em 1938, quanto tinha apenas 17 anos. Em 1939 ele viria a realizar o sonho de tocar bandoneon em uma das melhores orquestras de tango daquele tempo, a Anibal Troilo Orchestra.

O compositor começou seu trabalho “clássico” com a Suite para Cuerdas y Arpas, em 1943.  Após tocar em vários grupos, em 1946 que Piazzolla formou sua primeira orquestra, com a qual começou a desenvolver seus impulsos criativos em trabalhos orquestrais com conteúdo dinâmico e harmônico. Esse novo tipo de tango moderno e diferente, criado pelo ousado músico, começou a incitar controvércias entre os tangueiros tradicionais. Sua orquestra viria a se dissolver em 1949.

Piazzola considerava a música El Desvande, composta em 1949, como seu primeiro tango oficial. Com 28 anos de idade, Piazzola resolveu abandonar o bandoneon para se dedicar em escrever e prosseguir com sua música.

Nadia Boulanger e Astor Piazzolla em Paris, no ano de 1955

A princípio, Piazzolla acreditou que seu futuro estaria na música clássica, mas um conselho de seu colega Nadia Boulanger, considerado o melhor educador de música do mundo na época, o fez retornar ao tango. Ele misturou em sua música a sofisticação do clássico à paixão do tango.

Após vários projetos que o fizeram crescer como músico e compositor, em 1973 Piazzolla se mudou para a Itália onde iniciou a produção de uma série de álbuns, durante o período de cinco anos. Entre eles o mais famoso é Libertango. Em 1982, ele compôs a obra para violoncelo e piano Le Grand Tango, dedicada ao cellista russo Mtislav Rostropovitch, que estreou a obra em 1990 em Nova Orleans, nos Estados Unidos.

Piazzola morrou no dia 4 de julho de 1992, em Buenos Aires, após passar doisanos lutando contra as consequência de um acidente vascular cerebral.

Astor Piazzolla e o cantor Horacio Ferrer

 

Piazzolla e as Orquestras da Scar

No final do ano passado, o Grupo de Câmara apresentou alguns tangos de Piazzolla no Concerto de Gala. Agora, o grupo se prepara para executar a Melodia em Lá Menor, que faz parte do repertório do Concerto de Outono, que acontece no dia 17 de abril, no Pequeno Teatro da Scar, em Jaraguá do Sul.

 

Confira outras obras do compositor:

La Morte Del Angel

 

Adios Nonino

 

Le Grand Tango (parte 1)

Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=U0JJwoc4dTE

 

* Informações retiradas do site oficial de Piazzolla, www.piazzolla.org/biography


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Grandes compositores: Chiquinha Gonzaga

Não é a toa que Chiquinha Gonzaga é considerada a maior personalidade feminina da história da música popular brasileira. Sua vontade e coragem de ousar contribuiu de muitas formas para a formação da música brasileira como a conhecemos.

Foi Chiquinha quem utilizou, pela primeira vez, o piano como instrumento de choro, e quem compôs a primeira canção carnavalesca. Mas sua colaboração foi muito além da música em si: ela também foi a responsável por levar a música popular aos salões elegantes, fundadora da primeira sociedade protetora dos direitos autorais e a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.

Chiquinha Gonzaga aos 25 anos

Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu no Rio de Janeiro em 17 de outubro de 1847 e iniciou seus estudos de piano  ainda criança, compondo sua primeira música aos 11 anos – a cantiga de natal “Canção dos Pastores”. Chiquinha se casou com 16 anos, mas pouco tempo depois abandonou o marido por umengenheiro de estradas de ferro, de quem também logo se separou. Suas atitudes alheias ao padrão da época chocavam a sociedade e por isso sofreu muito preconceito.

Estreou em 1877 com a polca “Atraente”, composta de improviso durante uma roda de choro. Continuou a aperfeiçoar-se no piano e logo começou a compor para o teatro, de onde vieram grandes composições suas. Em 1899 compôs a primeira marcha-rancho “Ó Abre Alas”, conhecida até hoje como o hino do carnaval brasileiro.

A obra de Chiquinha Gonzaga reúne dezenas de partituras para peças teatrais e centenas de músicas dos mais variados gêneros, entre eles modinha, tanho brasileiro, valsa e habanesa.  A compositora faleceu no dia 28 de fevereiro de 1935, aos 87 anos de idade, no Rio de Janeiro.

Última foto da compositora, tirada em seu aniversário de 85 anos

 

O tango brasileiro

Um dos grandes sucessos de Chiquinha Gonzaga, o tango Corta-Jaca, fará parte do repertório que o Grupo de Câmara irá apresentar no Concerto de Outono 2011, no dia 17 de abril. O tango estreou em 1914, como um solo de violão, executado pela primeira-dama do país, Nair Teffé, causando um escândalo político. A obra é, até hoje, uma das mais populares da compositora e já foi transcrita para diversos instrumentos.

Confira algumas versões de “Corta-Jaca”:

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Grandes compositores: Heitor Villa-Lobos

Para aguçar nossa curiosidade musical, hoje estréia aqui no blog a sessão “Grandes compositores”, dedicada aos compositores que marcaram a música clássica mundial com suas composições. Para começarmos, nada melhor do que o brasileiro que encantou o mundo com suas obras inovadoras e exóticas: Heitor Villa-Lobos. Boa leitura! :)

 

História e vida

Heitor Villa-Lobos é, sem dúvida, um dos maiores compositores da música clássica brasileira. Conhecido por sua energia exuberante, o músico carioca é considerado por muitos com o responsável por colocar o Brasil no roteiro da música internacional.

Heitor Villa-lobos compôs mais de mil peças em sua trajetória musical

Villa-Lobos nasceu no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, em 1887, e teve uma educação musical pouco acadêmica. Aprendeu a tocar violoncelo com o pai, instrumento pelo qual sempre teve um carinho especial. Também tinha um domínio quase virtuosístico da guitarra.

O compositor ficou conhecido por suas histórias fantásticas, as quais utilizava de acordo com o perfil que desejava transmitir. Em sua primeira viagem à Europa, em 1923, Villa-Lobos deu uma entrevista ao jornal parisiense  L’Intransigeant, onde contou ter sido capturado por índios, amarrado ao poste do suplício e sofrido por três dias as honras de uma cerimônia fúnebre, sendo libertado pelos brancos. O artigo tinha como objetivo promover o seu primeiro concerto em Paris e funcionou muito bem, tendo em vista que o teatro estava lotado.

Com Getúlio Vargas assumindo o poder no Brasil, em 1930, Villa-Lobos tratou de defender a necessidade de apoio à arte brasileira, por meio de um artigo publicado em O Jornal. Sua adesão ao novo governo visava condições financeiras de retornar a Paris.

Para mostrar ao novo presidente como poderia ser útil ao regime, Villa-Lobos reuniu 12 mil cantores em São Paulo, em maio de 1931, para realizar a Exortação Cívica. Seu projeto musical aconteceu durante o Estado Novo, com enormes concentrações de corais em estádios de futebol. Sua principal façanha aconteceu em 1940, no Rio de Janeiro, quando reuniu um coral de 40 mil vozes.

Villa-Lobos rege coral de 40 mil vozes em São Januário, no Rio de Janeiro, em 1940

Em 1945, Villa-Lobos fundou a Academia Brasileira de Música, nomeando seus primeiros 50 membros. No dia 12 de julho de 1959, o compositor rege seu último concerto em Nova York, vindo a falecer em sete de novembro do mesmo ano, em seu apartamento.

Principais obras

Villa-Lobos tinha grande afinidade com a obra de Stravinsky e considerava Bach como a fonte universal da música. Sua obra o fez ser considerado um dos mais importantes e decisivos compositores do século 20, sendo visto como um criador central do período.

As nove Bachianas Brasileiras e os 12 Choros para as mais variadas formações de instrumentos são obras-primas da produção do compositor, que ultrapassa as mil peças. Produzidas após os Choros (série de obras consideradas inovadoras e arrojadas), as Bachianas Brasileiras compõem um paralelo entre Bach e a música brasileira, demonstrando bem a imaginação musical de Villa-Lobos.

Além dessas, outras obras merecem destaque na produção de Villa-Lobos: as Cirandas, as Proles do Bebê, o Rudopoema, ciclos compostos para o piano; as obras para violão, como os Doze Prelúdios, os Cinco Prelúdios e o Concerto para Violão; os 17 quartetos de cordas; obras orquestrais como Mono Precoce, Uirapuru, Amazonas; e a grande suíte sinfônica Descobrimento do Brasil, dividida em quatro partes e dez movimentos.

 

Conheça algumas obras de Heitor Villa-Lobos:

Bachianas Brasileiras n° 4 – Prelúdio (Introdução):

 

Bachianas Brasileiras n° 1 – Introduction (Embolada)

 

Concerto para Violão e Orquestra – 1° Movimento (Allegro preciso)


Para conhecer melhor a vida e obra do compositor, visite o site www.museuvillalobos.org.br

 

*Informações retiradas dos livros “Villa-Lobos”, da coleção Grandes Compositores da Música Clássica, da revista Bravo! (Editora Abril); e do livro “Música Clássica – Os grandes compositores e as suas obras-primas”, de John Stanley (Editoral Estampa).

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